ENTRE A DIFICULDADE E A DESCOBERTA: O QUE APRENDI AO CRIAR UMA INTERFACE DIGITAL NA ÁREA DA SAÚDE
O processo de construção do artefato digital no Lovable foi, ao mesmo tempo, desafiador e revelador. Confesso que, inicialmente, senti insegurança ao utilizar uma ferramenta digital fora da minha zona de conforto, principalmente por não possuir familiaridade prévia com ferramentas digitais de design de interfaces. Talvez por ser da área da saúde, enfrentei dificuldades iniciais relacionadas à organização da informação, à escolha de elementos visuais e à própria lógica de construção da interface. No entanto, foi justamente esse processo de estranhamento que possibilitou uma compreensão mais aprofundada dos conceitos discutidos na disciplina.
Ao longo
da atividade, tornou-se evidente que a interatividade não está apenas na
presença de ferramentas como chat ou fórum, mas na forma como a interface é
estruturada para promover a participação. Nesse sentido, compreendi, na
prática, o que Pimentel (2013) discute sobre a interação como um processo
mediado e intencional, que depende de planejamento pedagógico e não apenas da
tecnologia em si. Ao tentar organizar minha interface, percebi que, se ela não convidasse
à participação, o usuário tenderia a adotar uma postura passiva, reproduzindo o
modelo “bancário” de uso do ambiente virtual.
Além
disso, a dificuldade em tornar a interface mais atrativa evidenciou a
importância do design como mediador da ação do usuário, conforme apontam
Bortolás e Vieira (2014). A percepção de que minha interface poderia ter sido
mais clara e visualmente organizada me levou a refletir sobre como elementos
como cores, disposição dos conteúdos e hierarquia da informação influenciam
diretamente na experiência do usuário e, consequentemente, no processo de
aprendizagem.
Outro
aspecto relevante foi compreender que a tecnologia escolhida, no caso, o Lovable,
não é neutra. Ela revelou limitações e possibilidades que impactaram diretamente
minhas decisões. Por exemplo, ao tentar estruturar a atividade colaborativa,
percebi que não basta propor interação; é necessário que a interface torne
visível a participação dos colegas e permita intervenções constantes, como
comentários e revisões. Essa percepção dialoga com Rodrigues e Santos (2019),
ao destacarem a importância da usabilidade e da organização da informação na
construção de interfaces digitais.
Além
disso, o processo evidenciou que a construção do conhecimento em ambientes
digitais depende da articulação entre aspectos pedagógicos, tecnológicos e
comunicacionais, como defendem Passos e Behar (2012). Ao desenvolver a
interface, precisei pensar não apenas no conteúdo da avaliação
fisioterapêutica, mas também em como esse conteúdo seria acessado, interpretado
e discutido pelos colegas.
Por fim,
a experiência também reforçou a importância da interação social na
aprendizagem. Ao imaginar como os estudantes utilizariam a interface, percebi
que o aprendizado não ocorre de forma isolada, mas na troca, na revisão e na
negociação de ideias, conforme apontam Kümmel et al. (2020). Nesse sentido,
mesmo com as dificuldades enfrentadas, o processo de construção do artefato
contribuiu significativamente para ampliar minha compreensão sobre o papel das
interfaces digitais na educação.
Assim, essa
experiência me mostrou que aprender a lidar com tecnologias também faz parte da
formação docente. Mais do que o produto final, foi o próprio processo
de criação, com suas limitações, tentativas e revisões, que possibilitou uma
aprendizagem mais significativa, evidenciando que a tecnologia, quando
utilizada de forma intencional, pode transformar não apenas o modo como
ensinamos, mas também como aprendemos.
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