ENTRE PAUSAS E CONEXÕES: REFLEXÕES SOBRE O INTERVALO NA DISCIPLINA DE TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO E OS DISPOSITIVOS DIGITAIS NO ENSINO-APRENDIZAGEM
Duas segundas-feiras sem aulas produzem
uma experiência curiosa no percurso acadêmico. Não se trata exatamente de uma
pausa total, mas de uma interrupção dentro de uma rotina que permaneceu
intensa. Percebi que essa ausência momentânea abriu um intervalo simbólico para
revisitar discussões já iniciadas, reorganizar ideias e observar, com mais
distanciamento, o lugar em que as tecnologias ocupam em minha formação e em
minha prática diária.
Não foi um período de inatividade. Pelo
contrário: a rotina acadêmica continuou exigente. Entretanto, a suspensão
temporária das aulas me permitiu perceber como cada espaço formativo possui sua
própria identidade. Algumas disciplinas nos desafiam teoricamente, outras
metodologicamente. Esta, em especial, tem provocado questionamentos sobre o
presente e o futuro do ensino, sobre mediação pedagógica, inovação e
criticidade diante das tecnologias digitais.
Ao retomar o debate
a partir do PBL 6, Dispositivos digitais no ensino-aprendizagem,
compreendo que essa experiência se conecta diretamente ao tema proposto.
Vivemos em uma realidade em que celulares, notebooks, tablets e plataformas
digitais se tornaram instrumentos quase inseparáveis da vida cotidiana. No
contexto acadêmico, eles atravessam nossas rotinas de estudo, pesquisa e
comunicação.
Na minha experiência
como doutoranda, os dispositivos digitais têm papel decisivo. São eles que
viabilizam o acesso rápido a bases de dados, periódicos científicos, livros
digitais, ambientes virtuais de aprendizagem e redes de diálogo acadêmico.
Também favorecem a organização do tempo, a produção escrita e a colaboração
entre colegas e docentes. Nesse sentido, ampliam possibilidades e tornam o aprender
mais flexível, dinâmico e acessível.
Entretanto, sua
presença não elimina desafios. Os mesmos recursos que facilitam o estudo também
podem fragmentar a atenção. A multiplicidade de abas abertas, mensagens
instantâneas, notificações e excesso de estímulos revelam que a tecnologia não
é neutra: ela reorganiza nossa forma de pensar, de concentrar e de interagir.
Por isso, mais importante do que utilizar dispositivos digitais é saber usá-los
com intencionalidade pedagógica.
As leituras
propostas no PBL contribuíram significativamente para compreender essa
complexidade. Elas reforçam a ideia de que tecnologia, isoladamente, não
transforma a educação. O que transforma é a ação pedagógica consciente, crítica
e criativa mediada por esses recursos. O centro do processo continua sendo
humano: professores, alunos, relações, mediações, contextos e sentidos.
Ao olhar para essas
duas semanas sem aula, especificamente nesta disciplina, percebo que a ausência
momentânea também ensinou. Mostrou que os tempos de aprendizagem não acontecem
apenas nos encontros síncronos ou presenciais, mas também nos momentos de
reflexão entre uma aula e outra. Entre continuidades e intervalos, sigo
compreendendo que aprender exige presença, intenção e abertura ao novo, com ou
sem tela, mas sempre com intencionalidade pedagógica.
Com
relação ao enigma ...
Entre
relatos de noites curtas e travessias por corredores feitos de telas e páginas,
surgiu alguém que, na mesma semana, ergueu pontes entre interfaces e sentidos,
lapidou perguntas em parceria, costurou um artigo silencioso e ainda escutou
oráculos de uma tese que falavam de mediação, currículos e engenharias
invisíveis do ensino.
Ao
redor, outras portas do doutorado batiam exigindo passagem, enquanto inúmeras
abas se abriam não só no computador, mas dentro da mente. Em certo instante,
essa figura compreendeu melhor o eco daqueles que o chamam de mestre: “é coisa
demais ao mesmo tempo”. Ainda assim, entre revisões, dúvidas e recomeços, algo
avançou.
Dizei, então: quem é o viajante que ensina enquanto aprende, pesquisa enquanto equilibra mundos e transforma cansaço em caminho?
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