ELABORAÇÃO DE MAPA CARTOGRÁFICO DIGITAL
O mapa
cartográfico foi elaborado por mim, pois não pude comparecer à aula e não
participei da divisão dos grupos, sendo assim, não pude compartilhar as ideias
e leituras com ninguém. Dessa forma, o mapa elaborado representa as tensões,
resistências, negociações e possibilidades existentes entre a formação docente
e o currículo no contexto das Tecnologias Digitais (TD). Inspirado na
perspectiva da cartografia social e educacional, o mapa evidencia que esses
territórios não são estáticos, mas constituídos por movimentos, disputas,
aproximações e transformações permanentes.
As linhas
duras identificadas no mapa representam as estruturas rígidas que ainda
atravessam a educação contemporânea, como currículos engessados, políticas
prescritivas, formação tecnicista e desigualdades de acesso às tecnologias.
Essas linhas demonstram que, embora as políticas educacionais defendam inovação
e integração tecnológica, muitos professores ainda enfrentam limitações
relacionadas à infraestrutura, ausência de formação crítica e sobrecarga de
trabalho (ODELSKI; GIRAFFA; CASARTELLI, 2019). Nesse cenário, as tecnologias
podem acabar sendo utilizadas apenas como ferramentas instrumentais, sem
promover mudanças significativas nas práticas pedagógicas.
As linhas
flexíveis revelam os movimentos cotidianos de negociação e adaptação realizados
pelos docentes em seus contextos educativos. Elas representam experiências de
formação continuada, metodologias ativas, colaboração entre professores e
tentativas de integrar criticamente as tecnologias ao currículo. Conforme
destaca Brien (2025), o desenvolvimento profissional docente precisa ser
contínuo e articulado às transformações sociais e digitais, permitindo que os
professores construam novas possibilidades pedagógicas de forma colaborativa e
reflexiva.
Já as
linhas de fuga simbolizam os movimentos de ruptura, inovação e transformação
presentes na relação entre formação docente, currículo e tecnologias digitais.
Essas linhas apontam para práticas educativas mais críticas, humanizadas e emancipatórias,
nas quais as tecnologias são utilizadas para fortalecer a autonomia, a
criatividade, a participação e o pensamento crítico dos estudantes (CUSTÓDIO;
RODRIGUES, 2023). Assim, o professor deixa de ocupar apenas o papel de
transmissor de conteúdos e passa a atuar como mediador da aprendizagem e agente
de transformação social.
A
construção do mapa também possibilitou compreender que as tensões entre
currículo, formação docente e tecnologias digitais estão diretamente
relacionadas às políticas educacionais contemporâneas. A Resolução CNE/CP nº
4/2024 evidencia a necessidade de integrar competências digitais, ética e
cultura digital na formação de professores (BRASIL, 2024). Entretanto, ainda
existem contradições entre o que é proposto pelas políticas públicas e as
condições concretas oferecidas aos docentes em formação e atuação.
Além
disso, os referenciais teóricos utilizados demonstram que a integração das
tecnologias na educação depende não apenas do acesso aos recursos digitais, mas
também da construção de competências críticas, pedagógicas e éticas (VANEGAS et
al., 2025). Scherer, Siddiq e Tondeur (2019) ressaltam que a aceitação e o uso
das tecnologias pelos professores estão diretamente relacionados à percepção de
utilidade, facilidade de uso e segurança pedagógica no desenvolvimento das
práticas educativas.
Portanto,
o mapa cartográfico evidencia que formação docente e currículo são territórios
em constante disputa e reconstrução. As tecnologias digitais podem tanto
reforçar modelos tradicionais e excludentes quanto favorecer práticas
pedagógicas inovadoras, colaborativas e emancipatórias. Dessa forma, promover
uma educação crítica na cultura digital exige investimento em formação docente
contínua, valorização profissional, políticas educacionais mais inclusivas e
currículos capazes de dialogar com as demandas sociais e tecnológicas do século
XXI.
Olá, Alexsandra!
ResponderExcluirApesar de não ter participado da aula, gostei da forma como você organizou sua proposta, apresentando o mapa e um breve texto explicativo com a análise das linhas identificadas e a articulação com os referenciais teóricos.
Uma questão que me chamou a atenção foi a representação dos territórios. Na cartilha compartilhada, "Como construir seu mapa cartográfico: um guia passo a passo para identificar e cartografar as linhas do campo" , os territórios costumam ser compreendidos como espaços habitados por sujeitos, relações e movimentos. Nesse sentido, você acredita que os sujeitos envolvidos poderiam aparecer de forma mais explícita no mapa? Isso poderia contribuir para compreendermos de que maneira eles participam da produção das tensões, dos conflitos e das possibilidades que você identificou ao longo da análise.
Parabéns pela proposta!