METADE DO CAMINHO: ENTRE DESLOCAMENTOS, INQUIETAÇÕES E COMPROMISSOS
Chegar ao meio da disciplina de
Tecnologias Digitais no Ensino não me coloca em um ponto de chegada, mas em um
território de deslocamento. Ao revisitar as atividades já postadas em meu
e-portfólio, percebo que o mais significativo não foi o acúmulo de conteúdos,
mas as fissuras que se abriram no meu modo de pensar a docência, a aprendizagem
e o papel das tecnologias.
Se, no início, minha relação com as
tecnologias digitais ainda carregava traços de um uso mais instrumental, como
suporte, mediação técnica ou organização de conteúdos, hoje reconheço um
movimento de transição para uma compreensão mais complexa e crítica.
Nesse percurso, a dinâmica do PBL tem
sido um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma potente provocação. Assumir
uma postura ativa, argumentar com base em evidências e sustentar
posicionamentos teóricos exige um rigor que vai além da leitura: exige
implicação. Reconheço que nem sempre chego completamente preparada como
gostaria, mas também identifico avanços na minha capacidade de problematizar,
de tensionar ideias e de sair do conforto do senso comum. Há um movimento em
curso, ainda em construção, de me posicionar como pesquisadora que não apenas
consome conhecimento, mas o interroga.
Ao olhar para o meu portfólio, percebo
que ele começa a deixar de ser um espaço meramente descritivo para se tornar um
território de reflexão. Ainda há momentos em que a escrita se aproxima de um
registro mais protocolar, mas já identifico a presença de dúvidas, inquietações
e tentativas de elaboração teórica. Talvez esse seja o sinal mais importante: o
portfólio já não é apenas um repositório, mas um espaço de diálogo comigo
mesma.
Contudo, este exercício de autoavaliação
também evidencia lacunas. Ainda preciso avançar na densidade das leituras, na
articulação mais consistente entre teoria e prática e, principalmente, por ter
como base intelectual a postura objetiva da área da saúde, busco a coragem
intelectual de expor minhas fragilidades e hipóteses inacabadas. Participar
mais ativamente das discussões, aprofundar referências e sustentar argumentos
com maior rigor são movimentos que se impõem como necessários para a segunda
metade da disciplina.
Assim, meu compromisso daqui em diante é
claro: assumir uma postura ainda mais investigativa, ampliar minha participação
no PBL com base em evidências teóricas e transformar meu portfólio em um espaço
vivo de pensamento, onde o inacabamento não seja ocultado, mas reconhecido como
parte essencial do processo formativo.
Se
o portfólio é, de fato, o espelho do meu crescimento como pesquisadora, o que
ele reflete neste momento não é uma imagem pronta, mas um processo em movimento,
marcado por rupturas, aprendizados e, sobretudo, pela disposição de continuar
me transformando.
Muito forte como você assume o deslocamento como parte central da aprendizagem, e não como sinal de fragilidade. Gostei de como você transforma o portfólio em espaço de diálogo e não apenas de registro, assim a reflexão tem densidade, autocrítica e direção.
ResponderExcluirMuito interessante Alexsandra sua autoavaliação. Realmente como professoras da área da saúde estamos literalmente saindo da zona de conforto como você colocou e é perceptível sua evolução na disciplina com seus portfólios e nas discussões em sala de aula. Parabéns!!
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